Sim, Está na Hora de Parar de Usar o Google Chrome

Eis um texto que já quero escrever há muito tempo. O Lifehacker já se posicionou. A Forbes, também. Até o Wall Street Journal deu um basta. E não é como se eu não estivesse dizendo isso já há anos, mas o momento é agora: pare de usar o Google Chrome.

Por quê?

É o pior para a sua segurança

O principal negócio do Google é vender anúncios (>90% da receita) e anunciantes estão dispostos a pagarem mais pela violação da sua privacidade. Você talvez ache que usar um bloqueador de anúncios resolva o problema, mas está enganado: desde 2015, a Google suborna desenvolvedores destes softwares para não bloquearem seus anúncios. Em março de 2020, foi alcançada a marca de 200 milhões de usuários sendo ludibriados por pseudobloqueadores de anúncios.

Talvez você não ligue para a sua privacidade, mas e a segurança dos seus dados? Uma falha no Google Firebase - descoberta há três meses - expôs dados como endereços de e-mail, logins, senhas, nomes completos, números de telefone, mensagens instantâneas, cartões de crédito e muito mais, no que pode ter alcançado até quatro bilhões de instalações.

É o que mais limita suas opções

Você não tem a opção de bloquear todos os anúncios, mesmo usando um adblocker que não tenha sido subornado ainda. Você não pode instalar as ferramentas exclusivas da versão corporativa (sim, existe uma versão paga do Google Chrome). Você não pode limitar quantos processos distintos o navegador abre. Você não pode escolher reduzir o consumo de memória em troca de um ligeiro aumento no consumo da CPU.

Drena sua bateria e sua memória mais rapidamente

Usuários do ecossistema Apple já sabem disso há anos, mas, por aqui, eles são minoria ainda. Até o próprio Google já sabe que passou de todos os limites. A Microsoft tentou resolver o problema na marra, através de um Windows Update. A situação fica ainda pior se seu aparelho depender de uma bateria.

Outros fazem tudo o que ele faz (e melhor)

O Google Chrome é baseado num projeto de código aberto chamado Chromium. Isto significa que qualquer um pode copiá-lo e adicionar ferramentas (ou remover limitações) livremente. Isto por si só já seria ótimo, mas, aqui, fica ainda melhor porque as falhas do Google Chrome não são originadas do Projeto Chromium. Por motivos que já devem ter se tornado evidentes, somente as versões liberadas pela própria Google contêm todos estes defeitos.

Isto significa que navegadores baseados no Projeto Chromium são compatíveis com todas as ferramentas do Google Chrome (incluindo as extensões e a integração com os serviços da empresa) e ainda trazem inovações como VPNs embutidas, gerenciamento de criptocarteiras e bloqueadores eficientes de anúncios nativamente. Eles também importam automaticamente todos os dados da sua instalação atual do Google Chrome, o que torna o processo de migração incrivelmente fácil e simples.

Ok, me convenceu. Como faço?

Basta escolher uma das opções abaixo e instalar. No primeiro acesso, uma ferramenta de importação guiará no processo de migração dos dados. Estão em ordem alfabética, mas, para cada um dos navegadores abaixo, faço comentários sucintos sobre minha experiência com eles para ajudar na escolha. O link para a instalação está no título.

Bold (Windows, macOS, Linux)

O mais focado na privacidade. Apesar de ser completamente baseado no Projeto Chromium, a comunidade é pequena e encontrar ajuda para problemas comuns não é trivial. Não recomendo para usuários pouco experientes, e nem como navegador principal.

Brave (Windows, macOS, Linux, Android, iOS)

É o mais popular dos navegadores independentes. Embora tenha um adblocker nativo, ele promove sua própria plataforma de anúncios, que pagam diretamente a você para assisti-los. Possui integração com o serviço Uphold de suporte a criptomoedas. No modo privativo, oferece a opção de usar a rede Tor, que permite o acesso à deep web e também uma maior proteção contra espionagem.

Chromium (Windows, macOS, Linux)

A opção mais preguiçosa, visto que é o projeto no qual o Google Chrome é baseado. É idêntico ao da Google (até na logo), exceto pelas cores, pelo Adobe Flash e pela integração nativa com os serviços Google (os dois últimos podem ser instalados por extensões). Instalá-lo é um pouco mais complicado que os demais, uma vez que também pertence à Google e não é do interesse dela que você use esta versão.

DuckDuckGo (Android, iOS, extensão do Firefox)

O mais proativo de todos em questão de privacidade e segurança: rastreadores são bloqueados, conexões inseguras são promovidas e históricos de buscas são apagados por padrão e automaticamente. Uma mudança que provavelmente incomodará é que ele muda o buscador padrão para si próprio, que, por não usar seus dados pessoais, costuma gerar resultados menos relevantes que os concorrentes do Google e da Microsoft (Bing).

Edge (Windows, macOS, Android, iOS)

Apesar da Microsoft ter reaproveitado o nome, o novo Edge é completamente compatível com o Google Chrome e suas extensões. Instalá-lo exige a desinstalação da versão antiga. Serviços da Google frequentemente emitem mensagens de que este navegador não é suportado: ignore todas.

Firefox (Windows, macOS, Linux, Android, iOS)

Único da lista que não é compatível com as extensões do Google Chrome, mas é, de longe, meu navegador favorito. É o único que suporta extensões também no celular. Também oferece as melhores ferramentas para desenvolvedores, em especial a impressão de tela de HTML nodes. Possui um ecossistema amplo de apps auxiliares, como o Send (envio de arquivos grandes) e o Lockwise (gerenciamento de senhas).

Opera (Windows, macOS, Linux, Android, iOS)

Um dos navegadores mais antigos ainda em existência, migrou para a plataforma Chromium já há vários anos. Possui adblocker, VPN e mensageiros instantâneos (Whatsapp, Telegram, Instagram, Twitter, Facebook, etc) embutidos. A versão mobile (Opera Touch) também tem suporte nativo a criptomoedas. A integração entre plataformas distintas é, de longe, a mais desenvolvida: o Fluxo permite transferência rápida e eficaz de arquivos e links entre diferentes dispositivos. É compatível com as extensões do Google Chrome, mas instalá-las é um pouco mais burocrático do que simplesmente clicar e esperar.

Safari (Windows, macOS, iOS)

Honestamente, é difícil recomendar ou condenar este navegador. Se você está no ecossistema Apple, não há por que não usá-lo: já vem instalado, está perfeitamente integrado, foi otimizado para o seu dispositivo e tem acesso a ferramentas exclusivas que são negadas aos competidores. Se você não está, azar o seu: recursos como compatibilidade com extensões do Google Chrome demorarão a chegar ou talvez nunca cheguem.

Vivaldi (Windows, macOS, Linux, Android)

É o mais inovador dos navegadores baseados no Projeto Chromium e, por isso mesmo, meu favorito dentre eles. Possui adblocker, anotações e até webmail nativos, mas é o foco no design da experiência de usuário (UX) que o torna especial: todas as suas ferramentas são agradáveis de usar, e é fácil desligar o que você achar inútil. O motor de atalhos de teclado é poderoso e flexível: aprenda a usá-lo e você passará horas sem tocar no mouse.

Ok, instalei. E agora?

No primeiro acesso, faça a migração dos seus dados (favoritos, senhas, etc) para o navegador novo usando a ferramenta de importação. Caso ela não abra automaticamente, a opção estará listada logo no início do menu de configurações. Caso tenha uma conta do Google, suas senhas ficaram gravadas online em https://passwords.google.com.br.

Você não precisa desinstalar o Google Chrome ainda, mas é uma boa ideia tornar seu novo navegador como o padrão, para facilitar a transição. Também recomendo ler com calma a página de boas-vindas, que costuma conter informações úteis e subestimadas. Não precisa ser imediatamente: clique com o botão direito do mouse na aba e deixe-a fixada.

Sua sessão no Chrome tem abas demais para abri-las no novo navegador? Use a extensão One Tab para enxugá-las e, no menu à direita, clique em Exportar / Importar URLs para copiar as abas. Repita o processo no próximo navegador e todas as suas abas ficarão salvas como uma sessão. É possível excluir algumas (passe o mouse por cima e clique no X), abri-las uma a uma ou usar a função Restaurar tudo para reabrir todas de uma só vez.

Talvez leve algum tempo para se acostumar com a novidade, mas todo o resto deve ser muito mais simples e fácil agora que você está usando um navegador moderno. Aproveite!


 

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