Diário do Feriadown: Episódio 5 (São Jorge, Por Favor, Me Empresta o Dragão)

No feriadown antecipado do Rio de Janeiro, hoje é Dia de São Jorge, mas a situação continua mais difícil que aprender japonês em braille.

Padre Marcelo Rossi é um dos destaques do dia ao aparecer malhado e de batina apertada ao vivo na TV.

Dessa vez, começarei por duas boas notícias: a taxa de ocupação nos leitos de UTI foi ligeiramente reduzida em São Paulo e, no Rio de Janeiro, o ritmo acelerado de vacinação (já atingiu dois a cada cinco idosos) começa a reverter a tendência de mortalidade. A taxa de ocupação da UTI permanece alta porque a vacina contra COVID-19 não previne a infecção pelo coronavírus ou a evolução da doença, mas é justamente sobre a letalidade que seu impacto é maior (e, portanto, mais rapidamente medido).

No atual ritmo de 40 mil aplicações diárias, entretanto, a cidade deve atingir imunidade de rebanho somente no final do ano. No País inteiro, houve novo recorde de óbitos, aproximando-se perigosamente dos quatro mil falecidos diários. Minas Gerais agora discute um feriadown posterior ao atualmente imposto às duas maiores metrópoles brasileiras. Apesar disso, não é a doença que está agitando as manchetes. Muito pelo contrário, quase não há menções a estes números sequer em mídias sociais.

Pelo contrário, até o padre marombeiro despertou mais atenção que a pandemia.

Terminei o texto de ontem comentando sobre o suposto golpe de estado em andamento. Houve desdobramentos mais sofisticados desta teoria do que o mero sincretismo simbólico (o golpe militar de 1964 ocorreu no dia 31 de março; amanhã será seu aniversário de 57 anos). Embora a reforma ministerial já estivesse prevista há pelo menos dois meses, as mudanças no alto escalão das Forças Armadas não estavam programadas. Os comandantes das três Forças Armadas foram sumariamente demitidos em reunião com o novo ministro da Defesa. No xadrez 4D de Brasília, o golpe militar será dado... sem os militares. Por via das dúvidas, este blog está hospedado nos EUA.

O dragão a ser derrotado, portanto, parece estar encurralado na casa do Big Brother Brasil, que também aglomerou mais atenção neste feriadown que o próprio feriadown. Numa terça-feira repleta de metáforas beligerantes e alegorias totalitárias, não é de se espantar que justamente o paredão de hoje conquiste novo recorde de participação popular, com mais de um bilhão de votos computados. Seguimos, portanto, com a programação normal de sempre: fiquem em casa.


 

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