Diário do Feriadown: Episódio 3 (Juízo Final)

A escolha da classe política para o feriadown é "Juízo Final", famoso samba de Clara Nunes e também um filme do Exterminador do Futuro, ironicamente (ou não).

A "missão da superação das dificuldades" começa ao tentar ler o artigo (exclusivo para assinantes).

Curioso que a "carta aos cariocas" esteja atrás de uma tela de pagamento. Mas, a bem da verdade, não há qualquer informação nova ali. O único trecho digno de nota é o que afirma que "não viveremos um feriadão, com se tem dito e como nos acostumamos a viver". Não sei exatamente se ficar repetindo que não é um feriadão em todos os meios ajuda a passar a mensagem de que não é um feriadão. Citar que "o sol há de brilhar" debaixo do calor de 35 graus que se abate sobre a cidade também não promove muito bem a ideia de "ficar em casa". A comunicação parece não ter ficado clara para pelo menos uns mil cariocas, que tiveram de ser devidamente autuados reeducados.

O apelo não deu muito certo (ou não foi visto pelos milhões de brasileiros que não assinam este jornal). O domingo começou com praias cheias desde muito cedo e durante o dia todo. Com efetivo de apenas sete mil pessoas (uma a cada mil habitantes, sem considerar turistas, vistantes e moradores de cidades vizinhas, e sem considerar que cada um só trabalha 40 horas semanais) na Guarda Municipal, é humanamente impossível resguardar os quase 90 quilômetros de praias na orla carioca o tempo todo. Nem mesmo fechar as praias funciona porque... bem, nada impede os cidadãos de arrombarem as grades e entrarem assim mesmo.

A praia só não está mais cheia na foto porque carioca não acorda antes do meio dia no domingo.

O problema obviamente não se restringe só ao inglório Rio de Janeiro. Como praticamente todas as formas de entretenimento estão fechadas por decreto, é pelas brechas legislativas que as pessoas escorrem para satisfazerem seu desejo imediatista de dar uma voltinha na rua. Em especial, a "prática de esportes individuais em locais públicos abertos" permanece liberada, o que gerou esta curiosa cena onde seres humanos estão coletivamente (e ao mesmo tempo) praticando esportes sozinhos no mesmo espaço (que, aliás, é uma ciclovia: o tráfego deveria estar desobstruído para a passagem de bicicletas).

Dizem que o pessimista acerta tanto quanto o otimista, mas não se espanta com o resultado (sou eu mesmo quem digo isso). Devo ser otimista, então, porque, apesar de todos os piores cenários possíveis que imaginei para este feriadown, estou espantado com esta notícia:

O terceiro dia do feriadown termina em tom melancólico. Talvez Clara Nunes tenha sido mesmo a melhor escolha dentre todas as realizadas neste feriadown. Resta apenas aproveitá-la.


 

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