Diário do Feriadown: Episódio 10 (Coelhinho da Páscoa, Que Trazes Para Mim?)

Kinder Ovo já foi a égide do poder aquisitivo no Brasil. Símbolo de uma época em que o brasileiro ainda gostava de surpresas.

Vocês querem fechar tudo por dez dias sem nenhum plano claro sobre o que fazer depois? SIIIIIIIIM!

Eis que chegamos ao fim do feriadown prolongado apenas para descobrir que... não acabou ainda. No município do Rio de Janeiro, as restrições foram prorrogadas até a próxima sexta-feira. No texto de ontem, eu já tinha adiantado que havia, de fato, um achatamento na curva de hospitalizações graves, mas, aparentemente, não o suficiente para retornar à normalidade.

O consórcio de municípios, formado ainda por Niterói, Itaguaí e Maricá (os três, do outro lado da Baía de Guanabara), optou por incluir ainda o próximo final de semana. É importante observar que, por ocasião da suspensão da nova Lei de Partilha dos royalties do petróleo, estes municípios recebem um a cada cinco reais pagos pela exploração do pré-sal na Bacia de Campos. Considerada uma atividade essencial, a extração do petróleo no estado permanece como a principal e mais segura fonte de arrecadação em tempos de pandemia de coronavírus.

No restante do estado do Rio de Janeiro, onde o feriadão decorrente do esgotamento de leitos para COVID-19 contém restrições mais suaves (bares, shoppings e academias ainda podem abrir, por exemplo), a prorrogação também ocorrerá até o próximo final de semana. Com uma agravante: escolas públicas da rede estadual permanecerão fechadas.

Nenhum outro estado, além do Rio de Janeiro, aderiu ao feriadown sanitário. Cidades isoladas, no entanto, como Vitória (ES), Belo Horizonte (MG) e São Paulo impuseram seus próprios calendários de feriados, com ou sem antecipação de feriados. O estado fluminense também foi o único a decretar feriados para a ocasião: as demais cidades optaram por antecipar datas do restante do ano e até do ano que vem.

As previsões mais atualizadas, alarmistas ou não, estimam em torno de cem mil mortos por COVID-19 no mês que se inicia. A situação mais crítica é no estado de São Paulo, onde as manchetes têm sido dominadas por constantes batidas policiais contra aglomerações clandestinas, na contramão das autuações aplicadas na capital do Rio de Janeiro, que foram executadas pela Guarda Municipal (que não é uma corporação militar). No saldo geral, entretanto, os bloqueios parecem, sim, terem freado o ritmo de ascensão de contágios e falecimentos, mesmo que, à primeira vista, os resultados sejam difíceis de observar por olhos não-treinados.

A Região Sudeste reduziu em mais de 50% a taxa de novos contágios. Como o coronavírus pode levar até 16 dias para incubar, os estados ainda aparecem em vermelho. A redução no número de casos é mais proeminente que a do número de mortes pelo mesmo motivo. O recuo na média móvel, no entanto, é inegável. Também é a primeira vez, desde fevereiro, que há menos estados em alta que estáveis e/ou em baixa.

No tradicional Domingo de Páscoa, o todo-poderoso *** entrou em ação e decidiu que igrejas estão isentas das restrições sanitárias. A Igreja Católica, no entanto, optou por manter suas paróquias fechadas. Minha mãe assistiu à missa pela TV. O décimo dia do feriadown prolongado termina com uma grata surpresa de Páscoa: seja pelo esforço conjunto, seja pelo tempo chuvoso, não foi em vão. Feliz Páscoa!


 

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