Slowpoke Review #1: Corpo Fechado (Unbreakable, 2000)

OBS: o texto abaixo contém spoilers.

Eu sei que você clicou aqui esperando ler o review de Fragmentado (Split, 2016). Mas, como era de se esperar, o tal do FocusWriter realmente funciona e consegui finalmente sentar a bunda na cadeira para escrever o máximo de textos que eu conseguir. O que significa que vou fazer a série Corpo Fechado na ordem, começando pelo filme homônimo de 2000. O filme com o James McAvoy virá no próximo review.

Liderado pelos peso-pesados Bruce Willis e Samuel L. Jackson, e dirigido pelo polêmico M. Night Shyamalan, Corpo Fechado parecia que seria sucesso de crítica e público. Não foi. O faturamento do filme foi tão baixo que quase deu prejuízo ao estúdio.

As desculpas foram muitas:

  • concorrência forte;
  • o público não entendeu o conceito;
  • filmes baseados em histórias em quadrinhos não eram populares na época (ainda não o são, com exceção dos filmes da Marvel e da DC);
  • a data de lançamento não foi uma boa escolha (embora tenha sido no horário nobre dos cinemas);

entre vários outros pretextos que tenho certeza que alguém vai ler isso aqui e depois tentar me convencer.

A verdade, para mim, é que Corpo Fechado falhou em ser mais do que um filme morno. E que, se não fossem os nomes famosos atraindo a atenção dos curiosos, o público tê-lo-ia ignorado ainda mais. Para um filme que deveria ter sido um thriller psicológico, o espectador até que passa uma boa parte do tempo distraído e bocejando. Se fosse lançado nos dias atuais, os smartphones já estariam exibindo stories no Instagram para os entediados com preguiça de ir embora muito antes da metade do filme.

A culpa aqui é, principalmente, do roteiro. O personagem de Bruce Willis é chato demais. A atuação dele como o segurança em crise de meia idade é bastante convincente, a ponto de fazer esquecer que é o mesmo Bruce Willis que distribui bala de aço como o John McClane da franquia Duro de Matar. Acontece que isso não é bom. Willis entrega exatamente o que o roteiro ordena: um personagem monótono, fraco, repetitivo. É fácil de empatizar com ele, mas, em termos de narrativa, não acende o desejo de acompanhá-la.

Mesmo quando ele emerge vitorioso na luta do final do filme, o pensamento que me passou pela cabeça foi de que as crianças do parquinho na escola produziam um espetáculo mais emocionante.

No Brasil, esta piada não funciona porque os parquinhos são perigosos mesmo.

Elijah Price, o personagem de Samuel L. Jackson, foi tratado com mais carinho e recebeu tintas de personalidade compatíveis com o filme de suspense que Corpo Fechado propusera-se a ser. Seu personagem compensa os ossos frágeis como vidro demonstrando ter nervos de aço. Fica claro que os traumas do passado deixaram marcas em Price, mas elas o fortalecem em vez de enfraquecerem-no. Seria fácil gostar dele se o filme oferecesse um tempo de tela mais longo. O final que o revelou como o grande vilão era previsível e inesperado para um filme do M. Night Shyamalan, mas eu certamente não esperava que houvesse ocorrido daquela forma. Fui pego de surpresa, em parte, porque houve um certo abuso da inverossimilhança ali: a sofisticação da mente criminosa brilhante que coordenou e executou todos aqueles atentados terroristas destoa da crueza com que as plantas foram preguiçosamente largadas pela cena. Mesmo que Price tenha feito de propósito para que fosse descoberto e estabelecesse um norte moral para o protagonista, a apresentação desleixada não condiz com a personalidade meticulosa e obcecada por detalhes que o marca ao longo de todo o filme.

No final das contas, o filme é fraco em termos de história e de ser marcante, mas até que ele lançou uma base sólida para a franquia, satisfazendo todos os fãs que se dispuseram a esperar a continuação por mais de dez anos. Estranhamente, isso significa que ele vale mais a pena ser assistido agora que quando do próprio lançamento nos cinemas.

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