Reunião Aberta Extraordinária PURA

Daqui a aproximadamente doze horas (às 9h da manhã do sábado, dia 22 de julho de 2017), haverá a primeira reunião extraordinária do Pré-Universitário Comunitário Rubem Alves. Eu venho sendo bastante perguntado a respeito dela e, por este motivo, resolvi publicar minha opinião aqui. Tradicionalmente, reuniões do PURA desrespeitam tempos de fala, de forma que é bem provável que o único espaço que me seja cedido para que expresse meus pensamentos seja este aqui. 

TL;DR (para quem estiver com pressa)

A reunião de amanhã não é e nunca foi planejada para os alunos. O corpo discente do PURA não foi convidado a discutir o horário, a pauta, a duração ou a organização da reunião. A reunião só passou a ser aberta depois que os próprios alunos descobriram e planejaram uma contestação. Os alunos estão sendo impedidos de comparecerem às aulas para fins políticos e, por isto mesmo, é essencial que o máximo possível de estudantes compareça. 

Não acredite em nada que não venha acompanhado de provas. Não confie nas promessas de quem não se sacrifica por você. Não obedeça normas que não lhe foram comunicadas previamente. Exija transparência. Exija democracia. Ajude a construir um Projeto que coloque os seus alunos no centro de todas as decisões, e não à margem delas. 

Contexto

A atual crise tem início na reunião do dia 13 de maio. Após meses de sacrifício extremo dos coordenadores, nossa saúde física começou a fraquejar. Veja bem, não estou falando só de estresse ou dores de cabeça ou insônia, estou falando de doenças respiratórias, infecções do trato gastrointestinal e parasitas retrovirais. Até o momento desta reunião, o curso havia sido aberto ou fechado em mais de 90% das vezes por apenas quatro voluntários:

Abrir e fechar o curso é um processo bastante trabalhoso, uma vez que há muitas tarefas a serem executadas simultaneamente e muitos detalhes a serem observados e conferidos novamente. Ambos exigem apenas um voluntário com a chave, de forma que possuir ou não a chave é irrelevante porque a maioria esmagadora do trabalho independe da chave. Note que esta concentração de trabalho torna-se ainda mais avassaladora aos domingos, quando alguns membros da Gestão recusam-se a aparecerem. Em diversas oportunidades, fui o único membro a estar disponível para atender alunos, abrir e fechar salas, arrumar a mesa do café da manhã, preparar os banheiros, disponibilizar materiais, configurar computadores e projetores, arrumar livros da biblioteca, entre outros. 

Esta concentração de atividades provocou a deterioração dos relacionamentos da Gestão do Projeto. É importante lembrar que a Gestão do PURA nunca foi eleita. Em outras palavras, democracia nunca foi o modelo organizacional do PURA. Ela foi formada em condições precárias e inchada ao longo dos anos, sempre sob o pretexto de que havia trabalho demais para os membros já existentes. O resultado foi a acomodação dos gestores, abrindo espaço para o estabelecimento e o progresso da Mediocridade, da Impunidade e da Negligência

Esta reunião vai marcar um momento icônico da história do curso: quando um dos conselheiros fiscais, interpelado pelo coordenador geral sob sua falta de proatividade e presença física no Projeto (estamos falando de mais de dois meses de ausência), manifesta-se sem hesitação: "sou conselheiro só para dizer sim ou não, prefiro sair se tiver que trabalhar". Os demais voluntários, apesar de saberem que sua dedicação ao curso estava muito aquém do desejado, preferiram se calar, fingindo que a observação não lhes dizia respeito, embora os números de frequência deixem claro quem eles são. É importante notar que a presença dos voluntários é um dado visível a qualquer membro da Gestão, uma vez que todos possuem usuário e senha do sistema:

A reunião, infelizmente, não gerou nenhuma reação positiva. Em vez disso, os gestores ausentes tornaram-se ressentidos contra os ativos, e também contra as suas atividades. Por não enxergar mudanças no cenário corrente, tomei a decisão de deixar o Projeto ainda neste ano letivo. Visto que minha saída era apenas uma questão de tempo, endureci as críticas contra o que denomino "a vagabundagem do PU": voluntários que possuem poderes demais para tão poucas tarefas desempenhadas. A mudança de atitude foi acompanhada pelo coordenador geral, já então com a saúde fragilizada pelo estresse contínuo, e eventualmente culminou em seu afastamento temporário da Gestão, após semanas sendo ignorado pelos tais membros.

Observe que, um a um, os membros da Gestão que até o momento se mantinham em silêncio aparecem para descartarem as demandas do coordenador, inventando a tese de que ele está emocional e precisa de um tempo para descansar. Em nenhum momento, discute-se os pontos por ele levantados: tudo o que ele disse foi varrido para debaixo do tapete e sua irritação justificada é diminuída como se ele fosse uma criança mimada. Observe que, na última imagem, eu aviso que a estratégia de fingir ignorância não daria certo e terminaria causando mais danos no futuro. Cerca de uma semana depois, o voluntário em questão foi afastado pelo próprio coordenador, ao tentar deslealmente expulsar um colega de equipe. 

Crise atual

O clima tem escalado nos últimos meses. Na semana passada, o ressentimento voltou-se não somente contra os voluntários mais ativos, mas especialmente contra as atividades que eles oferecem aos alunos. Uma regra sobre as compras necessárias às aulas de domingo foi aprovada com a intenção de desestimular os professores a marcarem atividades neste dia. Um deles, ao se recusar a cumprir uma norma que não havia sido divulgada, teve suas atividades ameaçadas por uma das gestoras:

A Gestão voltou à sua tática natural de manter o silêncio, torcendo para que o assunto não tivesse nenhum prosseguimento. Entretanto, na semana seguinte, a mesma voluntária voltou a perseguir o voluntário, atacando uma atividade da qual ela não possuía conhecimento, embora ele tenha divulgado extensivamente por cerca de uma semana. Visto que repeti a defesa ao voluntário em questão, os demais membros da Gestão pararam de utilizar o grupo de conversas e marcaram uma reunião secreta para amanhã, às 9 horas da manhã, com o objetivo de discutir uma forma de me afastar silenciosamente. 

Talvez você acredite que esta é apenas uma suposição. No entanto, as circunstâncias falam por si mesmas:

  1. Os alunos não foram consultados antes da reunião ser marcada; 
  2. Os alunos não puderam escolher a data e o horário da reunião (tendo suas aulas canceladas, aliás);
  3. Os alunos não tiveram a opção de sugerir temas para a pauta;
  4. Não há um aluno sequer listado como organizador do evento;
  5. Não houve praticamente nenhuma divulgação do evento. Há apenas um único evento criado no grupo do Facebook (por ser a rede onde eu não estava), e um comentário explicando os detalhes de forma bastante superficial. Uma aluna, revoltada com o sigilo, foi a responsável por convidar os alunos para o evento;
  6. Até o momento, não houve nenhum aviso para o dia de amanhã. Diversos alunos ainda não foram informados de que não haverá aulas amanhã e correm o risco de terem seus planos frustrados ao chegarem ao Projeto. Não houve publicação do cardápio. As inscrições para a UERJ começaram e não houve menção no aviso semanal;
  7. O grupo da Gestão não foi usado para isto. Obviamente, o objetivo era marcá-la sem a minha ciência. No entanto, se a reunião era para ser aberta, que diferença faria se eu soubesse ou não da reunião? 

Entretanto, como é de se esperar dos membros em questão, a tentativa fracassou quando um dos organizadores vazou o horário e local da reunião aos alunos. A reunião tornou-se aberta para impedir a revolta legítima dos alunos. E é justamente por isto que você deve ir. 

O que pode ser feito

  1. Exija transparência. Quantos alunos o curso matriculou ao longo do ano? Quem faz parte da Gestão? Por que alguns dos gestores não aparecem aos domingos? Por que alguns dos gestores não estão presentes nos grupos dos alunos? Quanto dinheiro foi gasto pelo curso? Quantas isenções de matrícula foram concedidas? 
  2. Exija democracia. Qual foi o critério para escolher os atuais gestores? Quais as qualificações que eles têm para tal? Quanto tempo dura o mandato de cada gestor? Quando abrirá eleições para escolher os gestores do Projeto?
  3. Exija coerência. Um voluntário que não frequenta o Projeto está apto a estabelecer normas para os alunos? Um voluntário que não frequenta os mesmos espaços virtuais que os alunos conhece adequadamente as necessidades deles? Se um voluntário é tão apagado que você só descobriu que ele é da Gestão recentemente, será que ele tem presença suficiente para ser um gestor? Um voluntário que se incomoda mais de ser chamado de "vagabundo" do que de mostrar trabalho é uma boa adição à Gestão do PU?

Compromissos

Não sei exatamente o que será dito na reunião. Entretanto, visto que minha atuação no Pré-Universitário Comunitário Rubem Alves sempre foi direcionada aos alunos, gostaria de reafirmar com a comunidade os seguintes compromissos:

  1. As atividades de domingo deverão ser canceladas pela nova Gestão. Pensando nesta possibilidade, negociei com o Centro de Tecnologia (e estamos negociando com a Faculdade de Letras) a cessão do espaço para a manutenção das aulas de Filosofia, Sociologia, Língua Estrangeira e Teatro;
  2. As atividades durante a semana também estarão ameaçadas. Caso isto aconteça, conversei com os professores responsáveis pelas atividades e vou assumir, do meu próprio bolso, os custos necessários aos materiais destas atividades
  3. Ainda que eu me desligue do Projeto, os alunos de Língua Estrangeira não ficarão sem aulas
  4. Continuarei a emitir os avisos e os calendários através do meu Twitter pessoal;
  5. O acompanhamento estudantil será mantido, embora ele seja alvo primário da Gestão;
  6. O Projeto Redação continuará sendo realizado com o mesmo êxito, mesmo que a Gestão decida interrompê-lo.

Conclusão

Esta reunião é uma farsa, mas isto não significa que você não deva ir. Na pior das hipóteses, você descobrirá que o futuro do Projeto está comprometido e ainda terá tempo de buscar uma alternativa (pode contar comigo para isto). Na melhor das hipóteses, eleições diretas serão convocadas tão logo quanto possível e esta crise terminará por fortalecer o PURA. 

Entretanto, o resultado depende da vontade dos alunos. Exija seus direitos. Vá à reunião e faça sua voz ser ouvida. 

Etiqueta: pura 

 

Comentários

Não há comentários no momento.

Novo Comentário