Por água abaixo

Quarta-feira, 23 horas, o cenário se repete: a chuva cai lá fora, fustigante, enquanto as luzes se apagam, aqui dentro. Desta vez, estou acordado e estava escrevendo o dever de casa quando surpreendido pela súbita escuridão. 

O computador desligando é o menor dos meus problemas, porque já estava preparado. O que não sei se estou preparado é para o dia de amanhã. Olhei pela janela e vi uma corredeira caudalosa, descendo rua abaixo, a cobrir completamente o asfalto. 

Não sei se salvei o trabalho no computador do trabalho. Não sei se o despertador terá bateria suficiente para me acordar amanhã de manhã. Não sei se superarei a ansiedade e conseguirei dormir. Não sei se tenho mais paciência para tantas dúvidas.

Parece que a única certeza do verão carioca é que a energia irá por água abaixo. 

 

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