Desinstalei o League of Legends

Depois de anos de indas e vindas, de ameaças vazias e retornos arrependidos, Riot Games finalmente conseguiu o que parecia impossível: convencer-me a desinstalar o jogo de uma vez por todas.

O motivo, porém, é motivo de surpresa a qualquer um que me conhece: as mudanças constantes no jogo - frequentemente sem propósito algum senão o de fazer mudanças - dificilmente me incomodaram. Para a maioria esmagadora dos jogadores competitivos (>99%), mecânica e experiência são significativamente mais decisivas do que estratégia e tática, e mesmo estes representam apenas uma fração mínima dos jogadores. Há anos que não leio mais as notas de atualização, simplesmente porque não me trazem nenhuma vantagem competitiva. 

A pré-temporada de 2018, no entanto, inova ao manipular um dos sistemas mais equilibrados de League of Legends: a obtenção da moeda do jogo, necessária à aquisição dos personagens disponíveis para jogar. Mesmo jogando há quase cinco anos, minha conta apenas recentemente atingiu a marca de cem campeões desbloqueados. A antiga moeda, chamada de Influence Points, deixa de ser concedida após cada partida concluída e passa a ser substituída pelas Essências Azuis, recompensadas somente após dezenas de partidas jogadas:

É claro que, como todo jogo com muitos anos de existência, há uma disparidade econômica entre veteranos e novatos. Enquanto recém-iniciados têm dificuldades de adquirirem os itens essenciais ao modo competitivo, muitos jogadores de longa data possuíam tantos pontos que não havia conteúdo com o que pudessem gastar. A fim de resolver este problema, a Riot decidiu zerar os custos das runas e recompensar os jogadores que investiram no sistema. Eu mesmo recebi uma tonelada de Essências Azuis e, neste momento, preciso somente de treze campeões para completar a coleção. Além disso, os níveis de experiência, que antes eram irrelevantes após o 30º, passam a evoluir infinitamente, tornando-se progressivamente mais custosos, logicamente. 

O diabo, no entanto, mora nos detalhes:

  1. A nova moeda promove ainda menos recursos aos jogadores novatos: de fato, um jogador novato precisaria chegar ao nível 246 para desbloquear todos os personagens mesmo no melhor dos cenários. Isto, claro, considerando que ele consiga sempre o melhor resultado possível da loteria de Essências Azuis. No cenário mais provável, em que ele poderia ter a regalia de escolher os personagens que irá comprar, a expectativa é que ele só completaria a coleção no nível 523. A título de curiosidade, o tempo necessário para completar a coleção dos atuais personagens (desconsiderando futuros lançamentos) é estimado em 4 anos e 4 meses de dedicação diária (sim, todos os dias e sempre no mesmo horário). Comparado com o sistema anterior, o atual requer 9,2% mais esforço, o que anula as possíveis vantagens do novo sistema de runas;
  2. O custo das runas era irrisório perto do dos campeões: a maioria dos jogadores possuía 4 páginas ou menos de runas (sendo as duas primeiras gratuitas) e o sistema não era modificado desde 2013;
  3. Os pontos gastos com runas foram reembolsados somente em 13-25% do custo original delas. Os jogadores que utilizaram dinheiro real para comprar itens virtuais não foram estornados, ganhando, em vez disso, conteúdos cosméticos aleatórios (felizmente, não foi o meu caso);
  4. O conteúdo oferecido aos jogadores que já desbloquearam todos os personagens foi considerado de qualidade pífia e um bom número destes acionou o suporte na tentativa de desfazer a compra;
  5. Para contestar a matemática feita pela comunidade, representantes da Riot Games desceram aos fóruns para mostrar cenários em que o novo sistema é 10-20% mais eficaz que o anterior. Entretanto, a estratégia de relações públicas mostrou-se catastrófica, com a comunidade mostrando que os cenários escolhidos são pouco representativos, difíceis de serem seguidos à risca, e falsamente atribuídos como casuais (mesmo requerendo 2h de dedicação diária). Um dos argumentos foi particularmente arrebatador: você consideraria alguém que corre 2h por dia, todos os dias, como um atleta casual

Fiz as contas e percebi que, mesmo no melhor dos cenários, ainda precisaria de mais 52 níveis para completar a coleção (desconsiderando futuros lançamentos), um investimento diário que levaria 16 meses para ser completado no cenário casual. Uma pena, mas 2h diárias serão melhor utilizadas para desafogar meus estudos de francês, ou colocando as publicações deste blog em dia. Foi bom enquanto durou, mas terminamos por aqui. Até nunca mais!

PS: eu sei que a Riot Games fará ajustes no sistema para torná-los menos punitivos, mas também sei que eles já estavam planejados desde o princípio. O sistema foi arbitrariamente articulado para ser desproporcionalmente ruim, escandalizar a comunidade e promover mudanças com base num diálogo pseudodemocrático. A comunidade também sabe
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