Esclarecimento PURA

A reunião está terminada e, como eu já havia apontado, foi uma farsa. Desde o início, os organizadores vetaram o uso de aparelhos eletrônicos, por medo do absurdo das situações expostas vir a público. A reunião foi composta de horas de uma tentativa fracassada de desmoralização do meu trabalho e da minha personalidade, com direito a pérolas como "Ramon é um homem muito agressivo" (todos que me conhecem sabem que nasci para fazer papel de trouxa) e "imploramos a ele que nos dissesse o que fazer". Infelizmente, a Gestão restante é incapaz sequer de construir uma narrativa fictícia verossímil, imagina efetivamente gerir o Projeto. 

Tendo dito isto, não vou desperdiçar esta oportunidade de assumir meus erros. Entre maio de 2016 e abril de 2017, eu e o restante dos coordenadores operamos um esquema de desvio de dinheiro das matrículas do curso (também conhecido como caixa 2). Contando com a negligência dos demais membros da Gestão, que, muitas vezes, estavam no mesmo recinto em que as matrículas eram realizadas, desviamos parte da receita do Pré-Universitário para custear despesas do próprio Projeto, como compras de supermercado para o café dos alunos, auxílios-passagem e despesas dos alunos com taxas de inscrição de exames vestibulares. Embora o assunto tenha sido levantado por outro coordenador, eu já havia tomado a iniciativa de iniciar as reparações e devolver o dinheiro que desviei.

Tenho plena consciência de que cometi uma atitude criminosa, e estava ciente dos riscos e das implicações no momento. A motivação para tal veio do diálogo irracional com os conselheiros fiscais a respeito do café dos alunos:

Até então, o café dos alunos era complementado com nosso próprio dinheiro (e continuou sendo, o desvio era insuficiente). Além disso, havia os custos com gasolina que raramente eram reembolsados. 

A solução infelizmente pareceu muito prática: a tesoureira não contava os recibos preenchidos ao final do dia, logo não percebia a diferença nos valores. Mesmo quando ela era a receptora dos valores, dificilmente fazia a contabilidade em tempo real. Embora eu não manuseasse o dinheiro em si - minha parte no processo de inscrição era as informações de cunho pedagógico -, estava ciente do que ocorria e auxiliei no encobrimento quando necessário. Os gastos eventualmente escalaram para o almoço no restaurante próximo ao Projeto, e viagens de Uber em trânsito de ou para o curso. 

De acordo com a minha contabilidade pessoal (que, evidentemente, não corresponde às dos demais, já que a divisão não era igualitária), entraram em meu poder R$960, dos quais R$271,22 foram gastos em supermercados, R$228 em restaurantes, R$60 de uma taxa de inscrição de vestibular de uma aluna, e R$106 em auxílio-passagem a dois alunos. O restante não possuiu destino definido. Minhas viagens de Uber são pagas em cartão de crédito e, por isso, são debitadas da conta-corrente associada ao meu salário. 

Como se pode ver, cometi um erro torpe e fútil. O total acumulado ao longo de um ano foi menor do que meu salário de um único mês. Peço perdão a todos que causei quaisquer danos, e assumo a responsabilidade de ter tomado uma decisão antiética, independentemente das boas intenções. Depositei o valor na conta corrente do curso e retiro-me do Pré-Universitário Comunitário Rubem Alves de forma definitiva, enquanto busco entender o que me levou a trair o Projeto ao qual dediquei tanto empenho e carinho. 

Agradeço o apoio dos alunos, por terem compreendido minhas intenções e perdoado minhas ações, apesar das horas de apresentações na tentativa de me desmoralizar. Fico feliz que meu trabalho tenha ao menos a credibilidade de estar acima destas críticas. Devo me afastar de pré-vestibulares por ora, para me dedicar à minha saúde, mas continuo torcendo por todos os meus alunos, para que encontrem sucesso em suas empreitadas. 

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