Confissões de um Workaholic diagnosticado

É provavelmente o maior de todos os clichês existentes começar meu primeiríssimo texto no blog falando de, bem, escrever blogs. Por outro lado, qual é o sentido de ter meu próprio espaço para pensamentos, quando não posso nem mesmo me conceder a indulgência de alguma metalinguística de vez em quando? Vamos começar logo, então.

Desde que comecei a deixar meus impulsos ditarem o que deveria aprender em seguida, tenho notado uma tendência gradual mas incessantemente crescente: a quantidade de tempo gasta em planejar, gerenciar e organizar ideias e projetos está diminuindo numa espiral avassaladora, enquanto a maior parte do meu tempo passou a ser dedicada a construí-los, projetá-los, estudá-los. Ficou claro, com o tempo, que sou uma pessoa que aprende melhor fazendo, então esta não deveria ter sido uma surpresa. Contudo, foi o que ocorreu. Na busca por novos desafios que fossem mais intricados e sofisticados,, percebi que a busca em si é a parte realmente divertida da jornada, ao ponto em que ter de repetir certos processos é tão enfadonho que prefiro desperdiçar tempo automatizando-os, mesmo que fazê-los mais uma vez termine economizando tempo no fim das contas.

Todo dia, acordo pensando "o que desejo construir hoje?", e esta pergunta está me atormentando. Acabei me condicionando a amar o que faço - e isto está me matando por dentro. Minhas diversões têm sido constantemente abandonadas e/ou procrastinadas simplesmente porque o único êxtase que me motiva a seguir adiante advém da descoberta e da invenção. Eu não deveria ter que arquitetar e produzir nada para me sentir satisfeito comigo mesmo e, no entanto, através de mecanismos ainda obscuros para mim, continuo permitindo que um cérebro insano encontre formas tortuosas (e torturantes) de me conduzir de volta a editores de texto, prompts de comandos, servidores virtuais, bancos de dados, etc, somente para perder o interesse tão logo quanto o projeto aproxima-se da conclusão.

Este blog é um deles. Há milhares de serviços gratuitos e simples de usar que já estão prontos para hospedarem blogs na web mas, lógico, eu tinha de escolher uma opção que me forçasse a construir minha própria solução. Agora que está quase pronto para ser publicado, percebo que sou meramente um jovem ordinário com ideias desinteressantes demais para serem compartilhadas. Sejamos realistas: este site nunca terá mais do que algumas dezenas de visitantes mensais e olhe lá. Todavia, o custo afundado do tempo, dinheiro e dedicação colocados nele apenas me fazem mergulhar ainda mais fundo em aprender e construir coisas desnecessárias (como adicionar um certificado SSL, por acaso um blog precisa realmente de encriptação?) somente para justificar o investimento. Escrever textos, portanto, foi relegado ao caráter de irrelevante, embora fosse o objetivo primordial deste blog (ou de qualquer blog). Já interrompi esta atividade umas cinco vezes. Eu não ficaria surpreso e este fosse o primeiríssimo e ultimíssimo texto publicado nesta página, a despeito do fato de que comprei este domínio por mais um ano inteiro.

Não sei por quanto tempo continuarei capaz de sustentar esta rotina. Eu particularmente admiro minha automotivação mas, no momento, a doença está me matando: preciso encontrar um equilíbrio.

Etiqueta: workaholic relaxing 

 

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