Catatonia: o Retorno

Ainda estou atordoado com a sequência de tragédias que atingiu o Rio de Janeiro esta semana. Comecei a escrever mas não sei por qual caminho estas linhas hão de trilhar. 

Quando fui dormir cedo, na quarta-feira de cinzas, pensava que acordaria de manhã e teria um dia normal de trabalho. Saí de casa e me deparei com uma montanha de lama e a rua interditada. Voltei só para descobrir que uma tempestade atingiu a cidade enquanto eu dormia: transportes foram interrompidos; metade do município estava sem energia elétrica; todas as agências bancárias do bairro decretaram recesso. Na TV, assisti à jornalista avisar o subprefeito de que o bairro que ele deveria gerenciar estava correndo risco de deslizamento, e ele responder que procederá até o local quando for notificado (mas não foi o que a jornalista acabou de fazer?). Na UFRJ, a conexão à internet foi cortada (como de praxe) e, portanto, não havia nada que eu pudesse fazer no escritório. Acabei voltando para a cama. 

Quando acordei na manhã de sexta-feira, parecia que o dia não havia acabado. Diversos bairros ainda sem fornecimento de luz; agências bancárias fechadas; o prefeito na TV dizendo que estava de férias e não havia nada que pudesse fazer. A UFRJ continua sem conexão à internet e estou preocupado com que a inscrição em disciplinas seja adiada por falta de infraestrutura (a UFRJ não sabe o que é computação em nuvem). 

A ajuda do governo federal veio sob a forma de uma intervenção que não é militar, mas será comandada por um. Não haverá injeção de recursos no estado, e o atual secretário de segurança pediu exoneração, então não dá para saber exatamente o que se pretende fazer de novo. O que se sabe é que não há um plano, já que o próprio general do Exército foi pego de surpresa. Em cima disso, o governo quer votar a Reforma da Previdência mas utiliza um artefato (in)constitucional que impede a votação.

Não sei exatamente onde queria chegar com isso. Ninguém sabe, para ser sincero.  


 

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