Uma tarde com os melhores jogadores de League of Legends do mundo

Hoje foi um dia incomum. Seguindo as ordens da minha psicóloga, tenho tentado relaxar nas últimas semanas. Descobri, do jeito difícil, que este negócio de relaxar é um saco. Aparentemente, tem de ser um passatempo completamente despido de qualquer excitação. O que mais me espantou foi descobrir que algumas pessoas (na verdade, a maioria delas) de fato sentem prazer em fazer nada. Claro que, de manhã, fui ao Pré-Universitário Comunitário Rubem Alves, como sempre, mas saí cedo para me dedicar ao dever do relaxamento. Em tese, não posso encarar isto como um dever, mas agora já era

Comprei um par de ingressos para a final do Mid Season Invitational 2017 finals, o segunto torneio internacional de League of Legends mais importante do ano, que foi sediado aqui no Rio de Janeiro.Era para ter sido uma surpresa ao meu (ex-)namorado, mas ele foi mais rápido e terminou comigo antes (futura postagem), então acabei indo sozinho mesmo. Quase não fui, mas um bom e velho amigo conseguiu me convencer de que seria muito mais divertido contemplar o suicídio num estádio lotado de adolescentes barulhentos do que em casa, então acabei indo e até gostando. 

Preciso ser justo com a Riot Games: a produção dela tem um valor fantástico. Esta é a minha terceira participação em eventos de League of Legends no Brasil, mas apenas o primeiro internacional. Embora as finais do CBLOL sejam realizadas em estádios muito maiores e com muito mais atrações, a Riot decidiu montar um evento mais enxuto desta vez, graças a tudo o que é mais sagrado, porque nada me incomodava tanto quanto aqueles intervalos imensos em que dezenas de bandas desconhecidas (para mim) e cosplayers resolviam que tinham que mostrar o trabalho deles. Em termos de produção, este evento foi meu favorito.

Chegar ao ginásio foi surpreendentemente fácil, mas não mais fácil do que encontrar meu assento, com a ajuda de dezenas de ajudantes contratados pela produção. Não posso garantir que todos possuíam o mesmo nível de qualidade, mas meu assento era simplesmente excelente, com uma vista extensa e desimpedida de todos os jogadores e telões disponíveis, e eu comprei um dos mais baratos. O telão e as telas menores, junto com os holofotes, formavam uma interatividade fluida que transformavam qualquer objetivo conquistado, por mais inócuo que fosse, numa demonstração animada de luzes em movimento. Já a havia visto na transmissão pela internet, mas, pessoalmente, é muito mais impactante e imersiva. 

Em relação aos brindes, a escolha da Riot Games foi bem minimalista e alvo de críticas dos fãs, mas preciso concordar com ela: muitos de nós, inclusive eu, não estávamos portando mochilas ou bolsas, e eu não pretendia ficar carregando brindes para lá e para cá numa sacola. O kit incluiu um copo com o tema do MSI 2017, uma pulseira de borracha, um par de boias de plástico para batermos uma na outra e fazermos barulho no estádio, um chaveiro de pescoço estilizado, e um código da skin PROJECT: Yasuo. O copo possui duas versões, fosca e lisa, e eu consegui ambas porque a moça da produção, muito atenciosa, decidiu me dar um a mais por estar sozinho com dois ingressos. 

O público, porém, roubou a cena com os aplausos efusivos, o batuque incessante, e as olas que tomavam o ginásio de assalto. Mesmo quando o jogo imergia num estado vegetativo, a arena espontaneamente começava a cantar e torcer, fazendo o investimento realmente valer a pena. Minha única reclamação era a comida, que era absurdamente cara e ruim ao mesmo tempo. O cachorro-quente do Bob's, vendido a absurdos dez reais, possuía apenas pão e salsicha (nem mesmo ketchup!). Tive de comprar uma pizza depois dos jogos porque estava morrendo de fome. 

Falando neles, aliás, não foram muito interessantes. SK Telecom T1, o time coreano favorito ao título, levou a Taça dos Invocadores para casa novamente e, apesar dos europeus da G2 eSports tentarem algumas estratégias inusitadas, não houve muita contestação. Os coreanos não pareciam sequer surpresos ou excitados enquanto eram coroados.  

Apesar disto, foi uma experiência agradável, embora não das mais excitantes. Minha psicóloga vai amar


 

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