5 motivos para sentir falta de São Paulo

Fiquei de escrever sobre isso antes, mas acabei esquecendo. Precisei ir a São Paulo no mês passado para fazer uma entrevista (torçam por mim!) e aproveitei para esticar alguns dias a mais e ver como seria se the dream tornasse-se realidade. Já devo ter ido para lá mais de uma dezena de vezes, mas foi a primeira vez que estava contemplando uma mudança para lá e, por isso, fui com os olhos mais atentos. 

Para ser sincero, achei que encontraria mais defeitos, mas creio que a realidade diária do Rio de Janeiro acabou me anestesiando para o que encontrei por lá. Em vez de preocupado, voltei para a terra do Pão de Açúcar ansioso para morar lá (mesmo se o emprego dos sonhos não vier). Fiz uma listinha enquanto pegava a estrada de volta - R$300 + taxa de bagagem para cada trecho da ponte aérea é proibitivo demais (preciso aprender ainda a viajar com uma mala só) - que vou dividir com vocês agora:

As ruas estão tomadas por celulares

Em São Paulo, parece que todo mundo usa o celular no meio da rua sem medo de ser roubado. No começo, enxerguei este costume com péssimos olhos: ninguém olha para onde anda, esbarrões são comuns, azar de quem estiver com pressa e atrás de alguém ocupado jogando Pokémon Go enquanto anda (ou para abruptamente para sacudir a tela), e pedir informação vem com a irritante sugestão de conferir no aplicativo de mapas. 

Mas, com o tempo, o hábito foi crescendo em mim. É bastante prático assistir o ônibus ou a carona chegando com atualizações instantâneas. Também me poupa de ter que guardar na memória o que é um Volkswagen Jetta Branco. Fora o potencial fantástico de poder usar a web em qualquer discussão inútil no meio da rua: no Rio de Janeiro, preciso escolher se prefiro estar certo ou manter a posse do meu aparelho. 

Tenho a leve impressão de que ninguém se importa muito com essa última. 

Não consegui me acostumar no tempo curto que estive lá: o pânico falou mais alto. Atender uma ligação na Avenida Paulista à tarde já exigiu toda a minha coragem. Mas prometo colocar mais esforço da próxima vez.

Todos os lugares têm ketchup e mostarda à disposição (menos as pizzarias italianas)

Duas coisas conseguiram me deixar espantado com relação a isso: primeiro, que tudo quanto é canto - pizzarias, padarias, restaurantes, botequins, lanchonetes - não só oferece os condimentos todos que o imaginário popular acredita que os paulistanos odeiam, como eles normalmente ficam na mesa e não precisam nem ser pedidos (no Rio, só a santíssima trindade fica na mesa e o restante precisa ser trazido por um garçom); e, segundo, que ninguém se importa com isso. Nas palavras de um amigo: "que tipo de padaria não tem ketchup e maionese?".

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Passando Natal na pizzaria sim

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Mas eles ainda não têm a melhor pizza do mundo.

A qualidade do ar é melhor do que eu esperava

Esse é um dos pontos que me deixa receoso de mudar de cidade. Pouca gente sabe disso, mas, em setembro de 2014, perdi um mês de aula na faculdade por causa de uma bronquite alérgica muito severa. Voltando do ensolarado verão de Vancouver, Canadá para mergulhar no inverno poluído de uma cidade dez vezes mais populosa, demorei demais para perceber que foi a mudança de ares que estava me deixando doente. 

A diferença deve ser menos brusca, considerando que as duas cidades estão mais próximas em termos climáticos, sazonais e até populacionais. As únicas vantagens do Rio de Janeiro são ser uma cidade litorânea, mais florestada e menos industrializada. É cedo para falar se vai me afetar ou não, mas o fato é que, nos três dias em que estive por lá, não lembro de ter dado um espirro sequer.

Os aplicativos de delivery têm uma quantidade anormal de cupons de desconto

Obviamente que eu não iria cozinhar (ou fazer alguém cozinhar para mim) nos poucos dias que passei por lá. Eu teria que usá-los de qualquer forma. A surpresa é que eles todos descobriram automaticamente que eu estava em outra cidade (isso não é surpresa e sim GPS) e começaram a me oferecer um cupom atrás do outro. Foi até ruim, de certa forma, porque sou muito indeciso (e pão-duro) e acabava tendo que olhar a mesma comida em todos os aplicativos até encontrar o que estava mais barato.

Minha fome, que estava em baixa no Rio (e já está em baixa novamente depois de ter voltado), finalmente atingiu níveis saudáveis para alguém do meu tamanho. Nada como 2 bisnagas do Subway por 11 reais para me relembrar do prazer de comer em excesso. Pena que tive que pedir sem cebola para garantir que meu hálito estaria perfeito para a entrevista. De todo modo, espero que dê para usar esses cupons todos por um bom tempo, porque cozinhar deve ficar para a última etapa de adaptação se me mudar para lá.

Uma bosta de sorvete

Literalmente. Essa é do meu último dia, horas antes de tomar o caminho de volta. Por algum motivo, eu fiquei com uma vontade súbita de tomar sorvete numa das noites mais geladas do ano e meu pobre anfitrião viu-se forçado a colocar roupas de frio para me acompanhar. Acabamos indo para um lugar que ficava na metade do caminho entre o apartamento e a estação de metrô. O lugar era ótimo e me deu a principal lembrança desta visita:

O formato é lindo mas o sabor não ficava atrás, estava muito bom.

Foi uma estadia muito boa, até mesmo para mim que detesto fazer turismo. Estou com saudades, mas não sei se faria de novo, porém. Se algum de vocês me vir falando de São Paulo novamente, foi porque provavelmente passei no processo seletivo e estarei de mudança, mas não vou criar expectativas antes da hora. Mesmo assim, torçam por mim!


 

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