Why the country of language schools cannot speak English

Há uns dez anos, fiz brevemente um cursinho de inglês por um semestre antes de me desmotivar e cancelar minha matrícula. Apesar disso, os donos continuam me ligando para me oferecer novos cursos e não se deixam abater por respostas como "já sou fluente" ou "já trabalhei numa equipe canadense de 30 pessoas para instalar uma rede de sensores sem fios num dos maiores prédios de madeira já construídos pela humanidade". Todo início de ano é a mesma coisa: os anúncios de cursos de inglês multiplicam-se pelo país e tomam de assalto a TV, os jornais e a Internet. Não é à toa: o Brasil é o país com maior número de escolas de idiomas do mundo, a maioria esmagadora delas oferecendo cursos de língua inglesa.

Apesar disso, os brasileiros são considerados ruins na fluência do inglês. Parece haver um consenso de que a culpa é do ensino público que, sucateado, dá preferência a disciplinas como a língua portuguesa e matemática. Mas esta é uma meia verdade construída para ser conveniente a um setor com mais de 15 mil unidades e 25 milhões de alunos matriculados. Apenas como efeito comparativo, o país possui 8 milhões de matrículas de nível superior (três vezes menos), e encontrar alguém formado não é tão difícil assim. Quantas pessoas você conhece que completaram uma graduação? E quantas você conhece que são fluentes em inglês?

Mesmo a elite intelectual do país é monoglota. Quando o MEC lançou o programa Ciência Sem Fronteiras, que oferecia intercâmbios aos melhores alunos de graduação e pós-graduação das faculdades tupiniquins, 80% das aplicações foram para Portugal. De cada 5 estudantes selecionados como de excelência pelas suas próprias universidades e preparados para passar de 12 a 24 meses numa instituição estrangeira, 4 escolheram um país com participação praticamente insignificante na produção científica e tecnológica global. Grandes potências industriais como EUA, Alemanha e Coreia do Sul estavam na lista. Paraísos turísticos como Canadá, Países Baixos (onde fica a Holanda), Itália e o Reino Unido (onde fica a Inglaterra) estavam disponíveis. O que todos estes países tinham em comum? O fato de exigirem um nível intermediário de inglês. Mesmo com o governo federal oferecendo seis meses de aprendizado de inglês privilegiado no país-destino, 80% dos alunos preferiu o único país que não exigia nenhum conhecimento além da língua portuguesa.

A falta de experiência com a língua inglesa está presente em todas as camadas sociais do país não só porque o ensino público é ruim, mas também porque o ensino privado é ruim. Porém, ao contrário da educação pública, que carece de recursos, as escolas privadas de idiomas oferecem um ensino débil porque é lucrativo: o aluno que não aprende precisa pagar por aulas extras, por material customizado e, ao permanecer mais tempo na instituição, por mais mensalidades. A falta de regulação facilita a extorsão coletiva, porque trocar de curso é um processo penoso e burocrático. A cada mudança de método, o curso insistirá para que o aluno retroceda um módulo inteiro "por precaução". Muitas escolas, inclusive, não permitem que um aluno entre acima do primeiro módulo avançado, mesmo que ele seja perfeitamente fluente. A mudança dos horários, dos ambientes, dos colegas e do material colabora para dificultar a assimilação do conteúdo. O resultado é que os alunos que não suportam os 5 anos ou mais de cursinho desistem no meio do caminho. E os que perseveram dificilmente alcançaram a fluência, mas fizeram questão de chegar até o fim para receber o certificado de conclusão, e só aí se deparam com a realidade cruel do mundo lá fora.

Diploma de cursinho de inglês vale menos que papel higiênico.

Ninguém vai acreditar que você é fluente só porque um pedaço de papel assinado pela escola da esquina atesta isso. Seus futuros empregadores farão entrevistas em inglês e, pode confiar, não vão perguntar sobre seus planos para o futuro ou sobre como foram as suas férias. Seus futuros professores passarão longas leituras e palestras em inglês e o prazo para terminá-las será bastante curto. Os governos e as universidades estrangeiros exigirão uma certificação oficial e padronizada como o IELTS (aplicado pelo British Council) ou o TOEFL (pela ETS). O mundo real não confia no julgamento das escolas de idiomas, pelos mesmos motivos que você também não deveria confiar

Enquanto eu pesquisava as maiores redes de escolas de idiomas do país para esta publicação, fiquei assustado com como, em pleno período de matrículas, as únicas notícias de sucesso delas falam de faturamento, número de franqueados, quantidade de alunos. Das 50 maiores redes de franquias nacionais, 7 são de cursos de idiomas. Comparando com as 500 maiores do mundo e suas míseras 2 franquias de cursos de idiomas, certamente me parece claro que o negócio de ensinar idiomas no Brasil é melhor em fazer alunos pagarem do que aprenderem. 

Fiz uma investigação e, das 10 maiores redes de idiomas em solo nacional, a média ficou acima de 3 anos. Muitos chegam aos 5 anos. Nenhuma delas, entretanto, promete fluência. Há uma linguagem tortuosa utilizada para prometer conversação ou leitura ou agilidade, mas nenhuma parece confiante de que seus alunos terminarão os cursos e serão capazes de obter uma nota 7 no IELTS. Pode parecer pouco, mas 3 anos é a duração do ensino médio, que ensina conteúdos tão complexos e diversos quanto funções de segundo grau e síntese proteica dos ribossomos. Aprender um idioma tão similar ao português jamais deveria levar mais tempo do que seu ensino médio! Pela ótica financeira, se o curso cobrar 300 reais de mensalidade, 3 anos custarão 10800 reais, sem contar custos de materiais didáticos, provas de segunda chamada e aulas de apoio. 

Se estes dois argumentos não lhe convenceram ainda, talvez uma perspectiva do outro lado ajude. Quando estudei em Vancouver, muitos dos estudantes chegavam ao Canadá sem saber sequer uma palavra de inglês. As escolas de idiomas locais recebiam estas pessoas e preparavam-nas para assistirem aulas em inglês numa das 50 melhores universidade do mundo em apenas seis meses. Porque este é o tempo considerado adequado por eles para se aprender a língua mais fácil e mais estudada do planeta. Quando os lados da moeda se invertem, os norte-americanos consideram que 2 anos são mais do que o suficiente para aprender uma língua onde os substantivos possuem gênero, os verbos possuem 6 flexões de pessoa e 9 flexões temporais e os adjetivos mudam de significado de acordo com a posição relativa ao núcleo nominal. 

Esta escola de Chicago, por exemplo, completa 10 módulos de língua portuguesa em pouco mais de um ano e meio.

Em Miami, cidade favorita dos brasileiros nos EUA, dá para completar em 6 meses a menos.

Curiosamente, os cursos de inglês brasileiros que não se gabam de ter centenas de franqueados oferecem durações muito mais curtas. Por exemplo, o MyEnglishOnline, chancelado pelo Ministério da Educação e direcionado a estudantes e servidores de instituições de ensino superior de todo o país, não apenas dura só 2,5 anos apenas com aulas online, como oferece ao aluno no final a possibilidade de conquistar um certificado de idioma que realmente tem algum valor de mercado (TOEFL está na lista, inclusive). Se um curso não-presencial e completamente gratuito consegue levar um iniciante à (quase-)fluência em 2 anos e meio, como que uma escola tradicional, com décadas de experiência de ensino de idiomas, não consegue fazer o mesmo em menos tempo?

Este cursinho do Centro do Rio de Janeiro confia no próprio taco: inglês avançado em 12 meses

A maioria das escolas de idiomas está aceitando matrículas até o final do mês. Até lá, reflita bem se você quer se associar a uma instituição que se orgulha mais em ter franqueados do que alunos bem-sucedidos. That's all folks!

Tags: brazil english 

 

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