Tyler1: the first of 2018 new beginnings

Estava limpando minha lista de notícias para ler e notei que, ao desinstalar o League of Legends, esqueci de me livrar dos tentáculos que o jogo e seu cenário competitivo foram construído sobre a minha vida ao longo dos últimos 5 anos. Foi através de um deles que descobri que Tyler1, uma vez considerado um dos jogadores mais agressivos e violentos da comunidade, foi desbanido e poderá começar a transmitir seus jogos a partir desta segunda-feira, dia 8 de janeiro de 2018, o que o coloca como o primeiro caso de perdão e recomeço de 2018, o que, assim espero, seja só o primeiro de muitos. Justamente por isso que estou analisando aqui o caso dele: o que há de diferente para os demais no post do dia 1º?

Tyler1 tornou-se popular por representar muitos dos estereótipos mais batidos do jock americano: violento, mimado, de temperamento explosivo, possível usuário de esteroides anabolizantes, e morador de um trailer. Especificamente em League of Legends, encontrou um nicho de espectadores (muitos deles dispostos a pagarem para assisti-lo jogar e gritar) por ser um jogo ao mesmo tempo competitivo e cooperativo, onde aliados e adversários eram igualmente passíveis de sofrerem abuso verbal. Conhecido por sua grande habilidade num personagem específico (hábito comum entre jogadores populares), era comum que arruinasse jogos porque seus aliados ousaram lhe dizer não em algum momento da partida.

 

 

Para ser sincero, o caso do Tyler1 teve punição exemplar não porque a gerência de comunidades do jogo foi efetiva, mas porque, ao subir rápida e sucessivamente nos rankings dos melhores jogadores da América do Norte, ele passou a incomodar não apenas jogadores profissionais e streamers populares, mas também outros funcionários da Riot Games. Seu banimento foi anunciado nos fóruns de todo o mundo como motivado por "um histórico bem documentado de banimentos por abuso verbal, feeding intencional, bem como compartilhamento e venda de contas, evasão de sistemas desportivos, e assédio a outros jogadores". O anúncio ainda deixa claro que a punição aplica-se ao jogador e não a suas contas, e que todas as contas que vierem a serem usadas por ele serão banidas instantaneamente. Durante semanas, ele tentou escapar da punição criando e comprando novas contas, mas era banido em questão de minutos por funcionários que o monitoravam 24 horas por dia.

Como o trabalho dele é jogar ao vivo para sua audiência, é claro que ele passou a jogar outros jogos, mas isto não o impediu de iniciar o movimento #Tyler1Reformed na tentativa de mostrar que aprendeu com os próprios erros e está disposto a rever seus comportamentos. De fato, como o jogo não possui comunicação por câmeras ou microfones, deixar de ser um jogador agressivo envolve simplesmente não xingar os demais colegas no chat ou destruir os jogos como no vídeo acima.

Apesar disso, há um componente curioso que talvez explique o timing do desbanimento. No dia 1º de outubro de 2017 (três meses atrás), um funcionário da Riot Games chamou-o de "homúnculo" e arriscou a previsão de que "ele morrerá de overdose de cocaína ou câncer de testículo por conta de todos os esteroides, e aí tudo ficará bem", utilizando-se de um meio público. As declarações viralizaram e culminaram num pedido de desculpas do funcionário e da empresa, e depois na posterior demissão do mesmo. Um erro, na minha opinião. Tolerância zero é uma política aceitável para um videogame, mas não para a carreira de um profissional. Mas não vou me alongar, afinal, este é um post sobre perdão.

O que este evento ofereceu foi um palanque para Tyler1 dar sua própria demonstração de redenção e maturidade. A maioria dos seres humanos aproveitaria a oportunidade para obter vingança pessoal ou pontuar a hipocrisia de uma empresa multibilionária de tecnologia que afirma estar comprometida com a diversidade e a tolerância, mas Tyler1 preferiu sair por cima:

 

 

Longe de querer insinuar que a demissão do opositor facilitou a tomada de decisão, o que o episódio mostrou foi que todos os seres humanos cometem erros e que é a capacidade deles se redimirem que deve ser levada em consideração. O apedrejamento público, paradoxalmente, foi o necessário para que a Riot Games lembrasse-de que, mesmo sendo uma corporação multinacional, ainda é formada por seres humanos sujeitos às mesmas falhas de julgamento que Tyler1. Quem diria que é na humilhação pública que as pessoas percebem o quanto são similares.

Na publicação de anúncio no maior dos fóruns dedicados ao jogo, o atual gerente de comunidade da empresa reagiu com humor:

 

 

E é assim que o jogador mais tóxico da história de League of Legends começa o ano de 2018 como o mais reformado da história de League of Legends. Levou 18 meses, mas antes tarde do que nunca.


 

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