How To Free Space on Android After All Obvious Tutorials Failing

Meu celular parou de funcionar em outubro e, como o objetivo era usá-ló só para as funções mais básicas (quase não o uso, já que passo o dia em frente ao desktop), troquei pelo mais barato que encontrei.

Desde então, mantê-lo com espaço livre suficiente só para o básico revelou-se um desafio maior do que deveria. Eu nem sequer tenho aplicativos de redes sociais instalados, e as mídias que me são enviadas ficam gravadas num cartão de memória destacável (acho mais prático). Percebi que os apps avançam sobre o espaço disponível sozinhos e sem lógica alguma. Fazendo a busca que ilustra o blog de hoje, também percebi que não era um problema só do meu aparelho. Mas, vamos ao que importa: encontrei uma solução.

O uso da expressão "meu celular" já indica que não tenho um iPhone.

O que fazer, então?

Bom, se fosse para escrever um tutorial óbvio de "apague suas fotos, desinstale os apps que você não usa mais, remova as mídias, pipipi popopo", era melhor nem ter começado: a web já está entulhada de "dicas" estupidamente ululantes como essas e os donos dos sites de "tecnologia" investem muito mais em SEO que eu. Ainda assim, é por aí que vou dar o pontapé inicial, só para ter certeza de que cobri todas as bases.

Passo 0: Analise e remova o que não é mais usado

É quase certo que você já removeu tudo o que não precisava e não foi suficiente. Falta, agora, forçar os apps a fazerem o mesmo. Desenvolvedores são ensinados (pelo menos os que fizeram faculdade) a tratarem o espaço em disco como infinito e não têm lá muita preocupação com o cliente que sequer pagou para usar seus produtos (o free sai caro). Cada app tem sua própria dinâmica e não compensa correr atrás de cada um. Em vez disso, há outros apps que contam com uma lista de tarefas automatizadas para isso:

  • Files: direto do quartel-general da Google, é o que melhor se integra aos serviços da empresa (especialmente os de nuvem, como o Photos e o Drive, que serão úteis em backups) e é ainda o menos invasivo (em teoria). É também o único realmente gratuito desta lista. A interface é simples o suficiente para não precisar ser explicada e as demais funcionalidades, particularmente a de transferência de arquivos entre aparelhos, são úteis o suficiente para não desinstalá-lo logo em seguida. Não há propagandas de qualquer tipo.
  • Mi File Manager: é dos chineses da Xiaomi que vem o melhor concorrente: mesmo que seu celular não tenha sido fabricado pela companhia, ele consegue mergulhar profundamente nas entranhas do aparelho e, em pouco tempo, preparar sugestões de como liberar espaço. Usuários avançados vão apreciar ferramentas únicas como limpeza automática de APKs e suporte ao FTP. O gerenciador de arquivos é poderoso e aprende rápido, o que talvez lhe faça preferi-lo como app oficial para isto. A função de transferência entre aparelhos está lá, mas não é simples e ágil como a do Google. O app pede muitas permissões (talvez demais) e é financiado por anúncios.
  • CCleaner: velho conhecido dos usuários rWindows, é o mais poderoso da lista e a combinação da experiência dos desenvolvedores (a empresa, Piriform, originalmente inglesa, foi comprada em 2017 pelos tchecos da Avast) traz resultados logo evidentes: a interface carrega os vícios do desktop (incluindo a irritante necessidade de ficar preso na tela até completar), mas o processo é completo, profundo e descrito em detalhes (talvez excessivos). É, de longe, a melhor opção se falta de espaço em disco não for o único problema do aparelho. Há uma versão limitada financiada por anúncios e outra, completa, que exige assinatura anual. Nenhuma das duas inclui gerenciadores de arquivos ou transferência entre aparelhos, porém.

A lista acima não representa minha preferência e foi ordenada do mais fácil ao mais difícil de usar. É o passo 0 porque nunca foi meu foco apagar arquivos que não são mais usados. Se fosse suficiente, eu nem teria me dado ao trabalho de aprender essas coisas. O mais importante é cortar o mal pela raiz.

Passo 1: Encontre o que está entupindo o disco

Se a diferença entre o remédio e o veneno está na dose, a diferença entre o app ruim e o vírus está na quantidade de publicitários que os desenvolvedores contrataram. O que significa que seu espaço em disco é tomado por razões que você provavelmente foi levado(a) a acreditar que são legítimas e talvez até necessárias. A boa notícia é que poucas empresas têm o orçamento e a base de usuários grandes o suficiente para sustentar esta... er... argumentação. De fato, nem preciso flexionar minhas teorias da conspiração porque a Avast já fez a análise por mim.

A lista não leva em consideração arquivos pedidos pelo usuário. Não dá nem para fingir surpresa com o primeiro colocado.

É claro que esta lista é genérica e o que você precisa descobrir é o culpado no seu aparelho (e não na média). Buscando no menu de ⚙️ Configurações > 🖴 Uso do Disco (ou Armazenamento) > 🖴 Disco (ou Armazenamento) Interno > Apps, os culpados devem aparecer no topo da lista. Lembre-se de exibir também os apps do sistema operacional (ocultos por padrão) no menu Opções > Mostrar Sistema. Uma tela como esta deve aparecer e os algozes devem estar logo em cima.

No meu caso, é o WhatsApp, mas os apps irmãos (Facebook, Messenger e Instagram; todos top 10 da Avast) são os mais prováveis neste mural da vergonha.

Ok, mas, uma vez descoberto, o que fazer? Desinstalar provavelmente está fora de cogitação (caso contrário, você já teria feito) por ser considerado necessário demais. Apps do ecossistema Google ou Samsung sequer oferecem esta opção. Dificilmente futucar as configurações do app dará algum resultado, porque ele não sabe ou esconde descaradamente o que está fazendo. Infelizmente, cada um tem um jeito diferente de ser resolvido e não é neste blog que farei uma lista exaustiva, mas vamos pelo menos aos mais comuns.

Passo 2: Prepare o aplicativo

Role pela lista da imagem anterior e anote os apps e o quanto ocupam (dica: tire um print e mande por e-mail a si mesmo). Em otimização, uma boa heurística é a do lowest-hanging fruit ("caminho mais fácil"), ou seja, começar pelo alvo mais fácil que demonstre potencial. Chances são de que é o primeiro da lista (note a diferença absurda no meu caso, e isso foi DEPOIS DA OTIMIZAÇÃO), mas talvez uma combinação de apps menores termine sendo mais simples. É uma decisão sua, na verdade. De qualquer forma, este método só funciona com um app por vez: sua lista precisa colocá-los em ordem de prioridade.

  1. Force o app a ser interrompido: o procedimento varia entre as inúmeras interfaces de Android existentes, mas um caminho comum entre todas elas é ⚙️ Configurações > 🤖 Apps > clique no app > Forçar Parada.
  2. Apague o último contexto: da tela acima, clique em 🖴 Uso do Disco (ou Armazenamento) > Limpar cache. A tarefa talvez demore, mas não pedirá confirmação porque cache é uma informação pouco valiosa quando o app não está em execução. O espaço ocupado também deve ser baixo: a memória cache oferece pouca durabilidade.
  3. Reinicie: evite trafegar por muitas telas para isso. Normalmente, a opção de reiniciar aparece segurando o botão de ligar por algum tempo. Desligar e ligar novamente também funciona.

A partir daqui, o processo fica um pouco diferente para cada app e esta não será uma lista exaustiva. Tente pegar a ideia geral e reproduzir em seu problema específico.

Observação: você precisa de um armazenamento externo para guardar seus dados mais delicados. Pode ser um cartão de memória (formatado como NTFS ou FAT), um segundo aparelho (ambos com o app Files, citado acima) ou um computador conectado por um cabo USB. É uma boa ideia também começar o processo com a bateria completamente carregada, ou com o celular plugado na tomada.

Passo 3: Libere espaço suficiente para movimentar os arquivos

Esta parte é muito difícil e pessoal, mas tente praticar o desapego. Muitos apps, como os de bancos digitais e os de streaming, podem ser facilmente desinstalados e recuperados depois, já que guardam poucos dados no próprio aparelho. Imagens, áudios e vídeos podem ser movidos para um armazenamento externo e depois transferidos novamente. Com exceção do WhatsApp, a maioria dos aplicativos sociais mantém cópias atualizadas dos seus dados na própria nuvem, para permitir que você possa trocar desinstalar de um aparelho para o outro sem grandes dificuldades (stories, no entanto, precisam ser guardados). O espaço a ser liberado não é tão grande assim: um único GB costuma ser suficiente para quase todo mundo.

Passo 4: Force o aplicativo a liberar espaço

Apps com backup embutido (exceto WhatsApp)

Estes são os mais fáceis: basta fazer o backup, esperar a mensagem de confirmação e desinstalar. Sim, desinstalar. Reinicie o aparelho, traga seus arquivos de volta e instale-os novamente pela loja. Ao perceberem que não há mais espaço de sobra, eles se espremerão para caber no novo limite. Este tipo de app costuma expandir-se sozinho com o tempo, então anote o passo-a-passo porque, muito provavelmente, você terá que repeti-lo daqui a pouco tempo.

Jogos e apps de streaming com conteúdo baixado

Coloquei na lista só por diversão mesmo, porque não há nada a ser feito exceto desinstalá-los. Eles simplesmente precisam do espaço ocupado para funcionarem. Talvez pudessem ser mais otimizados para funcionarem em aparelhos menos robustos (e certamente funcionam em iPhones mais antigos), mas o custo da mão-de-obra não compensaria (pois é, o free sai caro).

Telegram

Abra o app > Menu > ⚙️ Configurações > 🖴 Dados e Armazenamento > Uso do Armazenamento > Limpar cache do Telegram. Alternativamente, você pode clicar no gráfico acima e escolher o que quer que seja apagado. Na mesma tela, há uma opção de escolher por quanto tempo você quer que o app guarde arquivos enviados e recebidos no aparelho. A opção mais curta é de três dias. Independentemente da opção escolhida, os arquivos são automaticamente salvos na nuvem do Telegram e podem ser baixados novamente a qualquer momento, se preciso.

Família Facebook (exceto WhatsApp)

Os aplicativos do Facebook, do Messenger, do Instagram e de suas versões corporativas são produzidos numa linha de produção que tenta manter a identidade visual e as experiências de usuário consistentes em plataformas muito distintas e enquanto operam uma variedade muito ampla de serviços. Sem entrar em detalhes, é uma abordagem de cima para baixo (top-down) que, evidentemente, prioriza os últimos lançamentos por serem mais populares. Ao longo do tempo, estes apps carregam para o armazenamento do aparelho os recursos constantemente pedidos pela rede (muito mais lenta que o disco) e não há muito o que fazer a respeito.

Desinstalá-los e reinstalá-los novamente pode resolver temporariamente, mas tenha em mente que esta rotina ocorrerá com muita frequência (talvez diariamente). Há versões Lite destes apps que talvez mereçam sua atenção, mesmo que tenham menos recursos.

WhatsApp

Este exemplo é pessoalmente muito irritante porque, bem, acontece comigo. A explicação curta é que este app é um lixo uma falha no banco de dados dos backups provoca um gerenciamento inadequado do espaço ocupado. A não ser que você trabalhe na equipe responsável por este desastre produto, não há nada que possa fazer, exceto tentar reduzir o tamanho e a frequência do problema.

A forma mais simples é desativando o backup automático na nuvem. Repare que, ao contrário do Telegram e do restante do ecossistema Facebook, o WhatsApp não conta com uma nuvem própria e, caso algo ocorra com seu aparelho (como ocorreu com o meu), as mensagens enviadas e recebidas que não estavam no backup serão simplesmente perdidas. Então, ao desligá-lo, o aplicativo continuará criando backups locais no aparelho (e entupindo sua memória até acabar) sequencialmente (normalmente às 2 da manhã), sem a falha do banco de dados. Caberá a você movê-los fisicamente para um meio seguro e apagá-los. Por incrível que pareça, isso dá muito menos trabalho que o backup "automático", porque os arquivos podem ser gravados num disco rígido externo.

O lado negativo disso é que todo usuário Android obrigatoriamente tem uma conta Google que possui armazenamento em nuvem embutido através do Drive, e os backups do Whatsapp guardados nele são gratuitos por tempo indeterminado. Ao contrário do que é espalhado, o Drive somente apaga backups que não foram atualizados em mais de 365 dias, portanto basta qualquer edição nos backups antigos (incluindo uma mera mudança de nome) para resetar a contagem.

Com um pouco de trabalho, dá para ter os dois, usando a opção de enviar o backup Somente quando eu apertar "FAZER BACKUP". Infelizmente, os jegues desenvolvedores projetaram o app para REFAZER O BACKUP mesmo que você tenha acabado de concluí-lo. Ainda assim, o processo inteiro leva cerca de uma hora e, se completado com perfeição, liberará um espaço imenso no armazenamento interno do celular. Não é possível usar o celular durante a primeira fase (a de "recriação" do backup local) e a tela não pode apagar no processo (dica: vá nas configurações do celular e estenda o tempo que a tela fica acesa). Uma vez completada - não se engane com a mensagem de "100%": só está completa quando o pop-up desaparece -, o WhatsApp tentará enviá-lo para o Google Drive, e esta é a parte mais sensível. O envio não completa fora de uma rede wifi (mesmo que o app diga o contrário), a velocidade é excepcionalmente lenta e se, a qualquer momento, o aparelho desconectar da rede, mesmo que por poucos segundos, o envio terá de ser reiniciado da estaca zero.

O aplicativo, que faz um uso excessivamente liberal da permissão de notificações, desta feita opta por não emitir nenhum aviso, tanto em caso de erro, quanto em caso de sucesso. Só é possível conferir se o backup foi enviado completamente com sucesso na tela específica de backup. Em caso positivo, chegou a hora de conferir se o processo foi, de fato, completado com perfeição. Às vezes, o backup é concluído mas o aplicativo não apaga os arquivos antigos, que, imensos, permanecem ocupando o armazenamento interno do aparelho. Neste caso, você precisa navegar até a pasta Armazenamento Interno > WhatsApp > Databases e apagar manualmente os arquivos dos dias anteriores (não sei se é uma boa ideia apagar o do dia atual). Cada um tem em torno de 750MB e é fácil ver como o acúmulo deles entope rapidamente o disco do aparelho.

Não é preciso fazer isto todos os dias, embora seja uma boa prática: caso seu aparelho pare de funcionar (como o meu), será possível recuperar as mensagens antigas num novo celular.

Famílias Google e Samsung

Espero, honestamente, que o culpado não venha a ser um destes apps, porque são ainda mais infernais de limpá-los e muitos sequer podem ser desinstalados. Usuários com permissão root podem desabilitar apps inúteis como o Play Newsstand e o ChatON e até escondê-los do menu, mas não desinstalá-los: o aparelho para de funcionar corretamente. Além disso, muitos aplicativos de terceiros (como o próprio WhatsApp acima) dependem de alguns deles para funções essenciais.

Com exceção do Google Play Services (que controla notificações), Google Play Store (atualizações de outros apps), Google Play Store for Instant Services e do Samsung Knox (ou Samsung Security Policy Updates, nos aparelhos mais recentes), todos os apps restantes podem ser resetados e até desabilitados (com root) para liberarem espaço. Há consequências, porém: limpar os dados do Google Chrome apagará suas preferências e senhas salvas; limpar o Gboard causará amnésia no teclado se não estiver usando outro (como o Microsoft SwiftKey); limpar o Google não remove sua conta mas apaga os dados que a empresa estava coletando de você.

Raramente estes apps cedem mais do que algumas centenas de megabytes quando limpos, e costumam ser bem ágeis em retomar a maior parte do espaço perdido. Porém, às vezes, podem ser uma ponte para outras ações que liberem espaço de uma forma mais perene, como o backup do Whatsapp supramencionado.

Passo 5: Concluindo

Bom, se você chegou até aqui, espero que tenha resolvido seu problema de forma definitiva, ou pelo menos por tempo suficiente até arrumar um substituto. Mas não é o momento ainda de dar por terminado e esquecer!

Aproveite enquanto a memória está fresca e anote tudo o que aprendeu hoje. A história infelizmente tende a se repetir e, no futuro, você sentirá orgulho do você passado por ter guardado o mapa do tesouro. Este texto, aliás, foi resultado disso.

Em cima disso, aproveite para, enquanto estiver reinstalando os aplicativos, refletir se eles são mesmo tão necessários assim. Por exemplo, não tenho nenhum app de sites de relacionamentos instalado porque percebi que a versão mobile deles era-me suficiente na maioria dos casos e, no final das contas, faziam-me gastar tempo demais com coisas que não eram produtivas e não me traziam diversão. Não se pressione demais: é só uma reflexão. O importante é consertar o mal-funcionamento e concentrar-se em coisas mais importantes, como escrever blogs e fazer memes. Até a próxima!


 

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