How did we embarrass ourselves before the Internet?

Uma das histórias que eu adoro contar aos meus alunos é sobre a era pré-histórica pré-Internet. Além da vantagem da interdisciplinaridade (eu tinha que ensinar física, matemática, inglês e espanhol e não tenho criatividade para ficar inventando histórias), a graça desta história é que entrei no mundo dos computadores em 1994, enquanto a maioria da minha geração só passou a enxergar a utilidade de um computador doméstico depois de 2004. O que me permite contá-la num tom idoso e sarcasticamente condescendente.

Em 94, muitas ferramentas que hoje são as engrenagens da Internet ainda não existiam. Os buscadores, por exemplo, não haviam sido criados ainda. Para acessar um site, eu tinha que anotar o endereço. As agendas (de papel!) da época vinham com um espaço nos contatos para escrever o site e o email dos conhecidos.

Aliás, falando em conhecidos, ainda não existia o webmail (aquele que você acessa direto do navegador, como se fosse um site comum), ou as redes sociais, ou ainda os aplicativos de mensagens. O ICQ, por exemplo, (Whatsapp do século XX) só surgiu em 1996.

Ou seja, naquela época, passar vergonha em público era um desafio. Se, nos dias de hoje, você pode lançar uma música ridícula e brigar com seus próprios fãs no Twitter, ou então puxar brigas com o namorado da sua ex no Instagram, os tempos negros da era pré-Internet eram cruéis e castigavam os fracassados com o esquecimento e a insignificância.

Para se destacar neste cenário desolador, as pessoas precisavam agarrar cada oportunidade que surgisse com unhas e dentes, e então darem o melhor de si. Na ausência de celulares e redes sociais, os programas de TV ao vivo eram os mais promissores. Por isso que Izumi Honda, no auge da ditadura militar dos anos 70, teve de ser ligeira durante o Programa Silvio Santos.

Infelizmente, o tempo na TV ao vivo é curto e não há tempo para piadas elaboradas. E, com o passar dos anos, as emissoras aprenderam a selecionar melhor o público que atendia programas de auditório. Ou simplesmente deixaram de conceder acesso ao microfone, o que dá praticamente no mesmo.

Entretanto, elas não contavam com as zoeiras vindo de dentro de suas folhas de pagamento. Se os meros mortais precisam competir pelo direito de fazer gracinha em rede nacional, apresentadores de TV tinham toda a liberdade criativa do mundo para fazer arte. Afinal, por que fazer piadas sexuais de 15 segundos quando se pode dedicar três minutos inteiros a pintinhos num programa infantil?

Mas acredito que o título de maior humilhação pública em cadeia nacional da era pré-Internet pertencerá, merecidademente, para sempre a Cláudia Raia, que em 1989 mostrou que sabe fazer comédia até mesmo quando está falando sério.


 

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