Circus Bra$ilis and other clowneries

Lançado em 2010, Bra$ilis (a pronúncia permanece “Brasilis”) é um jogo de tabuleiro com temática política que permaneceria bastante atual nos dias de hoje. Os personagens são pseudofictícios, no sentido de que a aparência deles é uma caricatura pouco criativa das respectivas fontes de inspiração e, se restasse ainda alguma dúvida, os nomes próximos aos originais eram bastante úteis em dirimi-la.

Obviamente, fui forçado a jogar de Jean Wyllys Julinho.

Essa é mais uma das minhas lembranças que vieram à tona recentemente, mas estou com dificuldades de localizá-la no espaço-tempo. Tudo o que lembro é de jogar no aniversário de algum colega de faculdade, o que, pela data de lançamento, deve ter sido entre 2011-2014. Talvez, explicando o jogo, algum bom samaritano ajude-me a completar o quebra-cabeças. Funcionou da última vez.

O jogo é, logicamente, nacional e foi publicado pela Galápagos Jogos, embora não conste mais do catálogo online e muito menos da loja deles. No ambiente completamente imaginário de Bra$ilis, políticos proeminentes estão atrás de dinheiro e poder e dispostos a utilizar todo tipo de falcatrua e proposta populista para alcançá-los. Cada um dos 3 a 6 jogadores incorpora um político e interage com o jogo e com os demais participantes em troca de notas de dinheiro, cartas de poderes especiais, promessas de auxílio político e, finalmente, votos. Lembra um pouco o Jogo da Vida, mas com mais interações e com reveses mais escandalosos, como não poderiam deixar de ser.

Se não me engano, os reveses (notícias ruins) nem sempre são negativos para todo mundo. Certos escândalos podem até favorecer seu político, numa mecânica que imita bem a vida real. Dá para colocar a culpa em outra pessoa, ainda, e isso às vezes era até combinado.

Ele vinha com um manual de regras que era até bem escrito. Pena que, em Bra$ilis, regras e limites são desrespeitados com frequência. O próprio manual indicava situações em que isso poderia ou até mesmo deveria acontecer.

Falando nele, as regras que ele impunha frequentemente eram absurdas: a ordem de jogada é decidida com base na carteira de cada jogador, literalmente. Cada participante precisa mostrar quanto dinheiro é capaz de produzir ali naquele momento para ver quem vai começar primeiro. Eu lembro disso porque deixei a carteira em casa - era uma festa de aniversário e fui e voltei de carona - e todo o meu dinheiro era uma nota de 2 reais que estava perdida no bolso e encontrei ali na hora, por acaso.

Felizmente, o jogo circulava no sentido horário e eu estava do lado oposto ao jovem que descarregou quase um salário-mínimo literal em cima da mesa. Não cheguei a ser o último (a ordem de jogar importa neste board game). Ele nem sequer colocou tudo, porque aquilo ali já era o suficiente para garantir a prioridade.

Atenção, veganos: em Bra$ilis, tudo acaba em pizza mas só dá para escolher calabresa ou margherita.

A humilhação não acaba por aí: o tal dinheiro do início também é um dos critérios de desempate ao final. É permitido aos jogadores negociarem ações dos outros usando dinheiro de verdade, embora ninguém ali tenha optado por este subterfúgio porque ninguém era doente mental não se mostrou necessário. Nenhuma outra ação do jogo cobra dinheiro exceto as notas que o próprio jogo fornecia.

O jogo não empolgou muito quem estava lá. Precisa ser bem politizado e entender o cenário sociopolítico brasileiro como o circo que é, além de ter senso de humor suficiente para entender que tudo ali é piada.

Se alguém tiver jogado Bra$ilis - ou lembrar de ter visto alguém (principalmente eu) jogando -, manda um sinal de fumaça porque estou muito interessado em lembrar de quem era o jogo.

Tags: brazil games 

 

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