Automatic backup and NTFS defragmentation in Linux environments

Em 2013, tive uma ideia que parecia muito boa à época: a Microsoft havia lançado o Surface Pro no ano anterior, que era um notebook híbrido com um teclado removível e, ambos somados, pesavam menos de 1kg. As configurações eram competitivas, e o modelo de 64GB de SSD (SATA III, raridade ainda) saia por menos de 600 dólares canadenses, não deu para resistir. O problema é que o sistema operacional sozinho consumia 40GB, e havia mais 9GB presos na partição de recuperação, deixando-me só com 15GB para viver.

Muitos anos depois, descobri como instalar Linux nele, e até mesmo as distribuições mais pesadas (como o Kubuntu) ocupavam menos de 20GB. Até hoje, meu desktop usa um SSD de 120GB e tem mais de 20% de espaço livre. Ele provavelmente só será trocado quando parar de funcionar, visto que falta de espaço não parece ser um problema no momento.

Provavelmente teria o triplo se desinstalasse os jogos e apagasse as máquinas virtuais.

Para isso ocorrer, precisei fazer um backup dos dados antigos, e manter outro (num disco separado) dos dados novos. O texto de hoje é sobre isso, e vou abordar duas ferramentas que normalmente passam despercebidas demais pela utilidade que oferecem. É recomendado que se use um disco à parte para cada uma das ferramentas - afinal, se um deles falhar, pode ser substituído sem perda de dados -, embora elas não lhe impeçam de usar um único disco para isso. Vou considerar discos magnéticos (HDD) porque discos de estado sólido (SSD) são um desperdício de dinheiro para esta tarefa.

Como recuperar os dados antigos

Este passo-a-passo presume que o próximo sistema operacional será Linux (porque, sendo Windows, o problema persistiria; sendo macOS, apenas gaste mais dinheiro que o problema desaparece). Se o HDD em questão for removível, o processo é muito simples: basta instalá-lo ao lado do SSD. Notebooks, em geral, só possuem uma bandeja de disco, caso em que você precisará de uma gaveta externa para HDD externo.

Esta custou R$25 e veio com parafusos, a chave, uma capinha e o cabo USB. Evite gastar mais por recursos como USB 3.0: não trarão benefícios na prática.

No meu caso, o Surface Pro tem o SSD soldado na placa-mãe. Como acabei vendendo-o (e cobrando mais por ele, em 2018, do que paguei em 2013 #ThisIsBrazil), achei mais simples copiá-lo para um pendrive e depois passá-lo para o HDD do meu desktop. Evite clonar o SSD: discos de tecnologias diferentes precisam de configurações próprias (em especial, o SSD precisa do TRIM ativado). Copiar e colar também evitam o uso de ferramentas adicionais. Aqui, porém, começa o primeiro problema: pendrives costumam ser formatados em FAT e não suportam arquivos maiores que 4GB. A solução é muito simples: formate-o em NTFS.

Isso transfere o problema de lidar com a formatação para o Linux, que está anos-luz à frente da Microsoft e já reconhece todas as formatações mais comuns. O problema é que, quando você trouxe a formatação do Windows para o disco magnético, também trouxe os problemas dela, em especial a fragmentação. Os sistemas de arquivos do Linux (ext3, ext4) não possuem estes problemas e, por isso, não estão preparados para lidarem com eles. É aqui que entra o udefrag, uma solução tão simples quanto brilhante para isto.

Passo 1: Instalando as dependências

Debian-based distros

sudo dpkg --add-architecture i386
sudo apt update
sudo apt install libc6:i386 libncurses5:i386 libstdc++6:i386

Red Hat-based distros

sudo yum update
sudo yum install glibc-devel.i686 libncurses5.i686 libstdc++.i686

Passo 2: Instalando o udefrag

wget -r https://easy2boot.com/_files/200002026-43f1844ea0/udefrag.zip
cd easy2boot.com/_files/200002026-43f1844ea0/
unzip udefrag.zip
sudo chmod 755 *
sudo cp udefrag /sbin/

OBS: o fabricante recomenda chmod 777 *, mas você jamais deve usar este comando. Em vez disso, use chmod 755 *, por ser o equilíbrio perfeito entre segurança e usabilidade.

Passo 3: Desfragmentando a partição NTFS

OBS: o disco precisa estar desmontado. Substitua /dev/sdb1 abaixo pelo dispositivo correto. Se não souber qual é, o comando sudo fdisk -l | grep "NTFS" deve listá-lo na primeira coluna.

sudo ./udefrag -om /dev/sdb1

Dependendo do nível de fragmentação, do percentual de espaço livre (recomenda-se ao menos 15%) e da velocidade do disco, esta tarefa pode levar vários dias. Esteja preparado, pois o disco não pode ser movimentado fisicamente durante o processo (incluindo os cabos).

O programa não emite notificações quando termina, mas há indicadores visuais de progresso e um aviso quando ele estiver concluído. Caso você precise usar o dispositivo antes disso, Ctrl+C encerra o programa. Não se preocupe: a desfragmentação feita até então não será perdida.

O processo é lento, mas não precisa ser repetido com frequência: uma vez ao ano é suficiente.

Como salvar os dados novos

Desta vez, terei que lhe frustrar: a ferramenta que uso tem interface gráfica e chama-se Deja Dup. O assistente de configuração é simples demais para ser explicado: basta seguir o passo-a-passo. As únicas configurações relevantes são o lugar onde o backup será gravado, a periodicidade da ferramenta (faço diariamente, mas pode ser semanal ou mensal) e se deseja proteção por senha (recomendo). Há vários passo-a-passos de quais pastas devem ou não ser gravadas, mas é um desperdício de tempo para um processo que provavelmente ocorrerá enquanto você estiver dormindo. O programa emite uma enxurrada de erros de permissão de leitura, que podem ser todos ignorados. O único inconveniente é que, por ser uma ferramenta avançada, ela não rodará sem sua autorização (através da senha). Mas, depois disso, pode ir se deitar: o processo leva algumas horas e estará concluído quando acordar.

Esta ferramenta possui duas opções de backup: completo ou incremental (recomendo). Nesta última, somente as modificações feitas desde o último backup serão gravadas, o que economizará muito espaço no seu disco de backup. Meu SSD de 120GB já fez mais de 30 backups e ainda não ocupou 120GB. Provavelmente caberão os backups do ano inteiro no disco magnético de 1TB que destinei para este uso.

Os discos não podem ser movimentados fisicamente durante o procedimento (incluindo os cabos), mas o disco lido pode ser usado sem problemas. Não que faça muita diferença: digitar a senha costuma ser meu último ato antes de dormir.

Conclusão

Gostaria de ter escrito este passo-a-passo antes do último Windows Update de maio de 2020, que inutilizou milhões de computadores no mundo todo. Mas não se preocupe: se você está usando Windows e não foi contemplado ainda, sua vez há de chegar. Até lá, durma com a tranquilidade de que, mesmo quando acontecer, nada estará perdido.

Tags: tools linux 

 

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